sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Do you need a translator or proofreader? Você precisa de um tradutor ou revisor de texto?


Visto que recebo uma quantidade considerável de pedidos para revisar e traduzir, decidi oferecer serviços nessa área (também por estar precisando ._.).
Segue aí o meu cartão (as simple as hell, I know). Os valores variam dependendo da área 
de conhecimento (assunto) do texto e da direção da tradução. Traduções Inglês > Português são mais baratas que Português > Inglês. Traduções e Revisões em textos na área de biologia e afins são mais baratos que textos técnicos de outras áreas.
Traduções são cobradas por palavras do texto original (o preço fica quase sempre entre 2 e 10 centavos por palavra). Revisões são cobradas por horas gastas (sendo que textos mais bem escritos, que precisem de menos correções e ajustes, certamente custarão menos).
Vocês podem ver alguns textos meus em inglês no nosso blog Earthling Nature: http://earthlingnature.wordpress.com/

domingo, 12 de agosto de 2012

E as planarinhas, como são coloridas? Uma análise de Geoplana vaginuloides

Como alguns devem saber, faço pesquisas com planárias terrestres, então não há nada mais natural do que me ver falando sobre elas. Este post é uma tradução de outro post meu, How are little flatoworms colored? A Geoplana vaginuloides analysis, no blog Eartlhing Nature. O assunto deste post é a espécie de planária terrestre Geoplana vaginuloides (Darwin, 1844), a espécie tipo do gênero Geoplana que dá nome à família Geoplanidae (as próprias planárias terrestres).

Geoplana vaginuloides foi originalmente descrita por Charles Darwin em 1844 com o nome Planaria vaginuloides. Sua descrição era baseada somente na morfologia externa, o que hoje é considerado insuficiente para descrever corretamente uma planária terrestre. Mais tarde, Stimpson (1857) a moveu para o seu novo gênero Geplana, mas ainda apenas características externas foram usadas. Nesta época ainda não havia sido designada uma espécie tipo para o gênero e E. M. Froehlich (1955) decidiu escolher Geoplana vaginuloides (Darwin, 1844) como a espécie tipo por ser a primeira encontrada por Darwin e uma das espécies postas no gênero Geoplana por Stimpson quando ele o descreveu.

Foi somente em 1990 que uma boa revisão de planárias terrestres foi feita por Ogren & Kawakatsu e a morfologia interna, especialmente do aparelho copulador, passou a ter uma importância maior em descrever uma espécie corretamente. Baseados em Geoplana vaginuloides, eles definiram o gênero Geoplana conforme segue:

“Geoplanidae of elongate body form; creeping sole broader than a third of the body width; strong cutaneous longitudinal muscles; mc:h value from 4%-8%; parenchymal longitudinal musculature weak or absent, not in a ring zone; testes are dorsal; penis papilla present; female canal enters genital antrum dorsally; cephalic glandulo-muscular organs, sensory papillae and adenodactyls absent.” (Ogren & Kawakatsu, 1990). (Geoplanidae com forma de corpo alongado; sola rastejadora mais larga que um terço da largura do corpo; músculos cutâneos longitudinais fortes; valor mc:h de 4%-8%; musculatura longitudinal parenquimal fraca ou ausente, não numa zona de anel; testículos são dorsais; papila penial presente; canal feminino entra no átrio genital dorsalmente; órgãos glândulo-musculares cefálicos, papilas sensoriais e adenodáctilos ausentes).

Como notado por Riester (1938), G. vaginuloides possui uma papila penal muito longa invadindo o átrio feminino, bem como outras características peculiares. Estes aspectos foram importantes para considerar uma planária terrestre encontrada por Marcus em 1951 como pertencendo a esta espécie, mesmo ela possuindo cores externas quase invertidas quando comparada com o espécime descrito por Darwin.

Usando a morfologia interna para assegurar que todas as descrições de planárias terrestres a seguir pertencem a uma única espécie, Geoplana vaginuloides, podemos encontrar ao menos 4 padrões de cor externa para esta espécie:
  • Darwin, 1844: " Ocelli numerous, placed at regular intervals on the anterior extremity; irregularly, round the edges of the foot. […] Sides of the foot coloured dirty “orpiment orange”; above, with two stripes on each side of pale “primrose-yellow,” edged externally with black; on centre of the back a stripe of glossy black; these stripes become narrow towards both extremities.” (Ocelos numerosos, localizados em intervalos regulares na extremidade anterior; irregularmente em torno das bordas do pé. [...] Lados do pé coloridos de "laranja auripigmento" sujo; acima, com duas listras em cada lado de "amarelo-prímula" pálido, contornado externalmente de preto. no centro do dorso uma listra de preto vítreo; estas listras se tornam estreitas em direção a ambas as extremidades.).
    Localidade: Rio de Janeiro
  • Riester, 1938: “Unterseite und Körperänder weinrot, dann zwei schmale gelbe Streifen und in der Rückenmitte ein tief Schwarz glänzendes breites Band.” (Lado interior e bordas do corpo vermelho vinho, então duas listras amarelas e no meio do dorso uma faixa larga de negro profundo brilhante.)
    Localidade: Teresópolis/Guapirimim, RJ
  • Marcus, 1951: “A faixa mediana é ocre, na maior parte da extensão. Anterior e posteriormente é preta. Flanqueiam-na faixas amarelas claras, cada uma tão larga quão a mediana. As zonas dorso-laterais são pretas com pontinhos claros, que não são olhos. O ventre é claro.”
    Localidade: Eldorado, SP
  • C. G. Froehlich, 1958: “The colour pattern is similar to type C of Marcus (1952, pp. 76-77, pl. 23 fig. 136) but the median reddish stripe is broader (about 1 mm. across, just in front of the pharynx), and both the black and the white stripes that follow on each side are narrower (about 0.2 to 0.3 mm broad each, in the same region). The median stripe begins at 2.5 mm from the anterior tip. The creeping sole is greyish white.” (O padrão de coloração é similar ao tipo C de Marcus, mas a listra mediana avermelhada é mais larga (cerca de 1mm de um lado ao outro logo à frente da faringe) e tanto as listras pretas quanto as brancas que seguem de cada lado são mais estreiras (cerca de 0.2 a 0.3 mm de largura cada uma, na mesma região). A listra mediana começa a 2.5 mm da ponta anterior. A sola rastejadora é branco-acinzentada.)
    Localidade: Itanhaém, SP

Diferentes padrões de coloração em Geoplana vaginuloides de acordo com Darwin, 1844 (1), Riester, 1938 (2), Marcus, 1951 (3) e C. G. Froehlich, 1958 (4).
Distribuição dos 4 morfotipos vistos na figura acima. Imagem criada no Google Earth.

Junto com essas descrições, Prudhoe (1949), encontrou um animal em Trinidad com a mesma descrição externa dada por Darwin, mas sua estrutura interna era muito diferente de Riester (1939), então provavelmente se tratava de uma espécie diferente.
Quanto a fotografias desta espécie, só encontrei as três abaixo. Todas elas pertencem a espécimes com um padrão de coloração próximo àqueles descritos por Marcus e Froehlich. Seria interessante encontrar um animal com o mesmo padrão de coloração da descrição original de Darwin!

Geoplana vaginuloides (Darwin, 1844). Foto de Fernando Carbayo. Extraída de each.uspnet.usp.br/planarias/
Geoplana vaginuloides (Darwin, 1844). Foto de Fernando Carbayo. Extraída de each.uspnet.usp.br/planarias/
Geoplana vaginuloides (Darwin, 1844). Note que esta não possui a margem preta flanqueando a faixa laranja mediana. Foto do Instituto Rã-Bugio. Extraída de www.ra-bugio.org.br

Referências:

Darwin, C. 1844. Brief Description of several Terrestrial Planariae, and of some remarkable Marine Species, with an Account of their Habits. Annals and Magazine of Natural History, Annales des Sciences Naturelles, 14, 241-251

Froehlich, E. M. 1955. Sobre Espécies Brasileiras do Gênero Geoplana. Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, Série Zoologia, 19, 289-339

Froehlich, C. G. 1958. On a Collection of Brazilian Land Planarians. Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, Série Zoologia, 21, 93-121

Marcus, E. 1951. Turbellaria Brasileiros. Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, Série Zoologia, 16, 5-215

Ogren, R. E. & Kawakatsu, M. 1990. Index to the species of the family Geoplanidae (Turbellaria, Tricladida, Terricola) Part I: Geoplaninae. Bulletin of Fuji Women’s College, 28, 79-166

Prudhoe, S. 1949. Some roundworms and flatworms from the West Indies and Surinam. – IV. Land Planarians. Journal of the Linnean Society of London, Zoology, 41 (281), 420-433 DOI: 10.1111/j.1096-3642.1940.tb02415.x

Riester, A. 1938. Beiträge zur Geoplaniden-Fauna Brasiliens. Abhandlungen der senkenbergischen naturforschenden Gesellschaft, 441, 1-88

Stimpson, W. 1857. Prodromus descriptionis animalium evertebratorum quæ in Expeditione ad Oceanum, Pacificum Septentrionalem a Republica Federata missa, Johanne Rodgers Duce, observavit er descripsit. Pars I. Turbellaria Dendrocœla. Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia, 19-31 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dicas para se tornar intelectualmente mais interessante

Oi, pessoal! Estou de volta aqui! É, o blog ficou outra vez parado por meses, mas vou tentar mantê-lo mais ativo agora (é, eu sempre digo isso e nunca cumpro... mas uma hora ele decola, eu prometo!).
Bom, para aqueles que não sabem, estou também com outro blog, o Earthling Nature (em inglês) junto com alguns amigos. Estou pensando em publicar uma versão em português dos posts, de alguns ao menos, aqui.

Enfim, hoje não estou aqui para falar especificamente de biologia, astronomia, física, química, matemática ou qualquer outra área da ciência, mas sobre conhecimento em geral e como consegui-lo. As pessoas costumam ficar impressionadas ou admiradas com o meu conhecimento em uma ou várias áreas, como se fosse algo sobre-humano ou algo assim. Elas costumam me perguntar “qual o seu segredo para ser tão inteligente?” ou “você pode me emprestar seu cérebro?”. Bem, eu não posso emprestar meu cérebro pra ninguém, mas mesmo se pudesse, eu não o faria. Afinal, eu o “treinei” com meu próprio esforço e acho que eu é que mereço usá-lo, não? Será muito melhor você treinar o seu próprio =). E eu realmente não acho que saiba tanto assim. Sou eu que fico impressionado com o quão pouco a maioria das pessoas sabe. Sério...
"Jovem leitor" por Francisco Farias Jr.
Anyway, para aquelas pobres almas que pensam que não podem ficar mais espertas, eu tenho uma novidade: você na verdade pode, mas depende do seu esforço para conseguir.
Assim eu decidi gastar um pouco do meu precioso tempo para lhes contar como conseguir isso, ou seja, eu lhes contarei “meu segredo” finalmente. Se você pensa que estas dicas não podem ser seguidas por você, por qualquer razão que seja, então pare de se queixar porque você está escolhendo ser intelectualmente entediante. E eu também não acho que muitas das mentes menos capazes vão sequer ler isso, simplesmente porque elas não estão nem aí. Se você está lendo isso, provavelmente já é alguém intelectualmente interessante.

Enfim, vamos às dicas.
1 – Você não precisa gostar de aprender, você tem que amar! É, se você quer se tornar mais sábio e mais esperto, você tem que amar adquirir conhecimento. Como você acha que vai aprender coisas novas se você não está nem um pouco interessado?
2 – Não dependa de professores. Se você espera que tudo vai ser ensinado para você por outra pessoa, você está totalmente perdido. Você tem que ir aos livros, websites, artigos científicos, documentários e a campo para absorver por você mesmo. Você nunca melhorará se você ficar preso somente ao que os outros lhe ensinam.
3 – Leia livros, todos os tipos de livros, quero dizer, leia aqueles que parecem interessantes para você, mas seria legal ler os clássicos também, para assim amplificar sua visão do mundo e, claro, poder ter conversas legais.
4 – Não seja invejoso. Se você conhece alguém que sabe mais do que você, não faça disso uma razão para odiá-lo(a), mas para admirá-lo(a). Afinal, não é culpa deles se você não se dedicou tanto quanto eles.
5  Converse sobre os assuntos que lhe interessam com outras pessoas que também possuem os mesmos interesses. É sempre estimulante compartilhar conhecimento e pontos de vista, pois isso pode ampliar sua abordagem do tema ao observá-lo através de diferentes prismas, talvez até levando a uma brilhante ideia.

E é basicamente isso. Simples, não é? Chega a ser óbvio. Não há nenhum grande segredo, é só querer!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Espécies Exóticas: Elas são sempre um problema?

Nas últimas décadas, espécies não-nativas se tornaram vítimas de discriminação por parte de conservacionistas, donos de terras e políticos, bem como entre os cientistas, sendo acusadas de levar espécies nativas à extinção e “poluir” ambientes naturais. Contudo, as abordagens atuais de manejo precisam considerar que os sistemas naturais estão se alterando sem retorno graças às mudanças climáticas, a urbanização e a eutrofização, além de outras mudanças pelo uso da terra.
De fato muitas espécies introduzidas por humanos levaram a extinções e reduziram importantes serviços ecológicos. A malária aviana, introduzida no Havaí junto com aves não-nativas por Europeus, matou mais da metade das espécies nativas. O mexilhão-zebra Dreissena polymorpha, originário da Rússia e introduzido na América do Norte, e o mexilhão-dourado Limnoperna fortunei, originário do sul da Ásia e introduzido na América do Sul, se tornaram um grande problema por bloquearem canos de distribuição de água.
Mexilhão-zebra, espécie invasora na América do Norte

Mas a maioria das alegações sobre o papel destrutivo de espécies invasoras se baseiam em Wilcove et. al (1998), que alegam que espécies invasoras são a segunda maior ameaça a espécies ameaçadas após a perda de habitats, mas isso é pouco suportado por dados. Na verdade, em muitos casos a introdução de espécies aumentou a riqueza de espécies numa região.
Os efeitos de uma espécie invasora que não causa problemas agora pode se tornar uma preocupação no futuro, mas o mesmo se aplica a espécies nativas. O status de nativo não indica um efeito necessariamente positivo. O inseto que mais ameaça as árvores na América do Norte é uma espécie nativa de besouro, Dendroctonus ponderosae. Muitas espécies de árvores frutíferas introduzidas se tornaram importantes fontes de alimento para aves locais, atraindo-as e assim auxiliando inclusive a dispersão de espécies nativas.
A ideia não é defender as espécies invasoras em todos os casos, mas incitar uma abordagem mais analítica da situação. Em vez de cegamente condenar uma espécie apenas por não ser nativa, os planos de manejo precisam se basear em evidências empíricas e não em alegações infundadas.


Fonte principal: Davis et al., 2001. Don’t judge species on their origins. Nature, 474, 153-154.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Como pronunciar nomes científicos

Depois de anos no meio acadêmico, não há como não perceber que muitos ainda possuem dificuldade na pronúncia de nomes científicos, mesmo entre os biólogos e outros profissionais constantemente em contato com estes termos. Assim, decidi fazer esse (não tão) breve resumo de como pronunciá-los.
Nomes científicos são palavras em Latim Científico e sua pronúncia varia de acordo com a língua oficial do local onde é usado, ou seja, sua pronúncia é adaptada a um background da língua falada pelos utilizadores dos termos. Assim, cada país possui sua forma própria de pronúncia. Aqui vou apresentar a pronúncia de acordo com falantes de português:

Vogais:
A – como em casa. Pode ser pronunciado mais fechado quando antecede uma consoante nasal, como em cama. Exemplos: Ara (gênero das araras), Anas (gênero dos marrecos)
E – como em pedra ou Pedro. Exemplos: Hedera (gênero das heras), Aves (clado que inclui as aves)
I – como em livro. Exemplos: Helix (gênero do escargô), Ilex (gênero da erva-mate), viridis (verde)
O – como em poço ou posso. Exemplos: Homo (gênero do homem), Volvox (gênero de alga verde)
U – como em cru. Exemplos: Lupus (gênero do lobo), Cucumis (gênero do pepino e do melão)
Y – da mesma forma que I. Exemplos: Lynx (gênero do lince), Cyanocorax (gênero da gralha azul)
AE – da mesma forma que E. Exemplos: Aegla (gênero de caranguejos de água doce), Poaceae (família das gramíneas).
OE – da mesma forma que E. Exemplos: Coelacanthus (gênero de celacantos extintos), Oecomys (gênero de roedores)

Consoantes:
B – como em boca. Exemplos: Bryum (gênero de musgos), Bacillus (gênero de bactérias)
C – 1. antes de E, I, Y, AE, OE, como em cebola. Exemplos: Caeciliidae (família de cobras-cegas), Cynodon (gênero de gramíneas)
2. em outras situações, como em cabelo. Exemplos: Canis (gênero do cão), Oryctolagus (gênero do coelho)
D – como em dedo. Pode ser pronunciado africado, como em dia, quando precede I ou Y. Exemplos: Dracaena (gênero das dracenas), Dicksonia (gênero do xaxim).
F – como em faca. Exemplos: Fagus (gênero da faia), Fragaria (gênero do morango)
G – 1. antes de E, I, Y, AE, OE, como em gelo. Exemplos: Geophagus (gênero de acarás), Lagerstroemia (gênero da extremosa).
2. em outras situações, como em galo. Exemplos.: Gallus (gênero do galo), amygdalus (amêndoa)
H – mudo, como em hora. Exemplos: Hovenia (gênero da uva-do-japão), Bauhinia (gênero da pata-de-vaca)
J – como em janela. Exemplos: japonicum (japonês), Juglans (gênero da nogueira)
K – como C em cabelo. Exemplos: Akodon (gênero de roedores), Kinetoplastida (grupo de protistas)
L – como em lar. Exemplos: Limax (gênero de lesmas), Allophylus (gênero do chal-chal)
M – como em mar. Exemplos: Animalia (animais), Mycobacterium (gênero de bactérias)
N – 1. antes de C, CH, K, KH, Q, G, GH, GU, X como no inglês bank. Exemplos: Sphingidae (família de mariposas), Onchocerca (gênero de nematódeos)
2. em outras situações, como em nada. Exemplos: Nematoda (filo de vermes), Lantana (gênero de plantas ornamentais)
P – como em paz. Exemplos: Primates (primatas), Apteryx (gênero da ave kiwi)
Q – como C em cabelo. Exemplos: Qaisracetus (gênero de cetáceo extinto)
R – 1. no início das sílabas ou quando duplo, como em carro. Exemplos: Rallus (gênero de saracuras), Conringia (gênero de planta da família Brassicaceae)
2 . em outros casos, como em caro. Exemplos: Iris (gênero da planta íris), Ursus (urso)
S – 1. entre vogais, especialmente após a sílaba tônica, como em asa. Exemplos: Rosa (rosa), asinus (asno)
2. em outros casos, como em salada. Exemplos: Sus (porco), Stegosaurus (gênero de dinossauros)
[A pronúncia de S entre vogais quando a vogal seguinte é tônica varia de 1 a 2]
T – 1. antes de i+vogal não tônicos (exceto no início das palavras ou após s, t, x), como S em salada. Exemplos: adventitius (adventício), Actias (gênero de mariposas)
2. outros casos antes de i ou y, como em tipo. Exemplos: Tyrannosaurus (tiranossauro), Astia (gênero de aranhas-saltadoras)
3. em outros casos, como em tela. Exemplos: Tenebrio (gênero de besouros), Octopus (polvo)
V – como em vela. Exemplos: Vulpes (raposa), Arvicola (gênero de roedores)
W – como no inglês way ou como V em vela. Exemplos: Welwitschia (gênero de planta encontrada no deserto de Namib), Wolbachia (gênero de bactéria parasita de artrópodes  e nematódeos)
X – como em axial. No início de palavras ou em casos em que a origem etimológica da palavra justifique, pode-se pronunciar como em xícara. Exemplos: Xerapoa (gênero de planárias terrestres), Oxybelis (gênero de cobras arborícolas)
Y – como no inglês yolk. Exemplos: Yarala (gênero de marsupiais fósseis), Ayenia (gênero de plantas da família Malvaceae)
Z – como em zebra. Exemplos: zebra (zebra), Metazoa (metazoários)

Dígrafos:
CC (antes de I, E, AE, OE, Y) – como X em axial, ou com S em salada. Exemplos: Coccinella (gênero de joaninhas), Occidozyga (gênero de rãs)
CH – sempre como C em cabelo. Exemplos: Chiroptera (ordem dos morcegos), Carcharodon (gênero do tubarão-branco).
GH – sempre como G em galo. Exemplos: Ghelna (gênero de aranhas-saltadoras), Ghatophryne (gênero de sapos)
GU (+vogal) – 1. antes de A e O, como em água. Exemplos: Guarianthe (gênero de orquídeas), Aguarunichthys (gênero de bagres).
2. antes de E, I, AE, OE, Y, como em águia. Exemplos: Guimarotodon (gênero de mamífero primitivo fóssil), Guibemantis (gênero de pererecas)
PH – como F em faca. Exemplos: Phoca (foca), Bryophyta (divisão dos fungos)
QU (+vogal) – 1. antes de A, O e U, como em quadro. Exemplos: aquaticus (aquático), Equus (gênero do cavalo)
2. antes de E, I, AE, OE, Y, como em queijo ou como em equino. Exemplos: Quercus (gênero do carvalho), Aquila (águia)
RH – como R em carro. Exemplos: Rhea (gênero da ema), Arrhenia (gênero de cogumelos)
SC (antes de E, I, AE, OE, Y) – como C em cebola. Exemplos: Sciurus (esquilo), Oniscidea (subordem dos tatuzinhos-de-jardim).
SH – como X em xícara. Exemplos: Shigella (gênero de bactérias), Leishmania (gênero de protozoários)
TH – como T em tela ou tipo (antes de I), ou como TH no inglês think. Exemplos: Theristicus (gênero da curicaca), Arthropoda (artrópodes)
XC (antes de E, I, AE, OE, Y) – como X em axial. Exemplos: excelsus (elevado), Excoecaria (gênero de euforbiáceas)
ZH – como Z em zebra, ou como J em janela. Exemplos: Zhadia (gênero de anfípodes), Azhdarchidae (família de pterossauros)

Tonicidade:
1. Palavras com duas sílabas são SEMPRE paroxítonas. Exemplos: Rosa, zebra, Ursus, Canis, Ara, Vitis, onca, leo, Volvox
2. Palavras com três ou mais sílabas podem ser paroxítonas ou proparoxítonas.
            2.1 Paroxítonas:
             a. quando existem duas (ou mais) consoantes entre a penúltima e a última vogal da palavra. Exemplos: Shigella, caballus, excelsus, Onchocerca, Coelacanthus, Bacillus, brasiliensis, Philodendrum.
                b. quando a penúltima vogal for longa. Isso inclui ditongos (ai, oi, eu, ou...), os dígrafos ae e oe e vogais simples longas. Estas últimas não são diferenciadas de vogais curtas na escrita e a melhor forma de identificá-las é conhecendo a palavra. Exemplos: Rhabdocoela, Dionaea, lactuca, Geoplana, Odonata. Dica: algumas terminações, como –anus/a/um, –aris, –alis, –osus/a/um e –atus/a/um indicam sempre paroxítonas (ex.: incanum, familiaris, Ortalis, Lophophorata, formosus).
            2.2 Proparoxítonas: quando existe apenas uma consoante entre a penúltima e a última vogal e a penúltima vogal é curta. Como dito acima, a escrita latina não diferencia vogais longas de curtas, mas na dúvida, opte por pronunciar a palavra como proparoxítona que as chances de estar certo são maiores. Exemplos: Hymenoptera, asinus, viridis, Asteraceae, sylvaticus, Phoneutria, domesticus. Dica: as terminações –icus/a/um, –ius/a/um e –eus/a/um quase sempre indicam proparoxítonas (ex.: aquaticus, Eryngium, erinaceus, Pomacea). Caso a penúltima vogal seja um I e haja uma palavra descendente no Português onde essa vogal desapareceu, então ele era curto e a palavra é proparoxítona (ex.: viridis > verde, asinus > asno).

Abaixo, uma lista de nomes científicos com a vogal tônica em destaque.
Homo sapiens
Felis sylvestris
Passer domesticus
Araucaria angustifolia
Escherichia coli
Agaricus campestris
Bipalium adventitium
Lactuca sativa
Elephas maximus
Coccinella septempunctata
Cyanocorax caeruleus
Albertosaurus sarcophagus
Phoneutria nigriventer
Saccharomyces cervisiae
Balaenoptera musculus
Mangifera indica
Polypodium subauriculatum
Welwitschia mirabilis
Larus dominicanus
Compsocerus violaceus
Amanita muscaria
Geophagus brasiliensis
Caenorhabditis elegans
Drosophila melanogaster
Pseudomonas aeruginosa
Amaranthus retroflexus
Piseinotecus gabinierei

Marchantiophyta
Elateridae
Lophotrochozoa
Charadriiformes
Osteichthyes
Amphidiscophora
Chlamydomonadaceae
Asparagales
Chromalveolata
Basidiomycota
Tetrapodomorpha
Orycteropodidae

Espero que isso possa ajudar a melhor a pronúncia daqueles que possuem dificuldade com ela.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Projeto Dead Drops

Em outubro de 2010, o artista alemão Aram Bartholl iniciou em Nova Iorque um projeto inovador para o compartilhamento gratuito e anônimo de arquivos, o qual chamou de Dead Drop.



Um Dead Drop consiste basicamente num dispositivo de armazenamento, geralmente um pendrive, que é incrustado em paredes, muros, prédios ou qualquer estrutura em local público para que se torne acessível a qualquer um. Todos são convidados a depositar ou encontrar arquivos num dead drop, bem como instalar os seus próprios livremente.
Preferencialmente um dead drop deve ser conectado a alguma estrutura fixa com apenas a sua entrada pela qual possa ser conectado a um computador estando visível. Assim, qualquer um pode conectar seu notebook ou outro aparelho à entrada e participar.

Maiores informações podem ser encontradas no site oficial do projeto, que possui a localização de todos os dead drops instalados no mundo, além das instruções sobre como fazer o seu.

No Brasil, no momento, existem apenas 3 dead drops instalados. Um no Rio de Janeiro, um em Florianópolis e um em Ivoti-RS.  Todos os que se encontram nas localidades destes dead drops estão convidados a usufruir dos mesmos.