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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Como pronunciar nomes científicos

Depois de anos no meio acadêmico, não há como não perceber que muitos ainda possuem dificuldade na pronúncia de nomes científicos, mesmo entre os biólogos e outros profissionais constantemente em contato com estes termos. Assim, decidi fazer esse (não tão) breve resumo de como pronunciá-los.
Nomes científicos são palavras em Latim Científico e sua pronúncia varia de acordo com a língua oficial do local onde é usado, ou seja, sua pronúncia é adaptada a um background da língua falada pelos utilizadores dos termos. Assim, cada país possui sua forma própria de pronúncia. Aqui vou apresentar a pronúncia de acordo com falantes de português:

Vogais:
A – como em casa. Pode ser pronunciado mais fechado quando antecede uma consoante nasal, como em cama. Exemplos: Ara (gênero das araras), Anas (gênero dos marrecos)
E – como em pedra ou Pedro. Exemplos: Hedera (gênero das heras), Aves (clado que inclui as aves)
I – como em livro. Exemplos: Helix (gênero do escargô), Ilex (gênero da erva-mate), viridis (verde)
O – como em poço ou posso. Exemplos: Homo (gênero do homem), Volvox (gênero de alga verde)
U – como em cru. Exemplos: Lupus (gênero do lobo), Cucumis (gênero do pepino e do melão)
Y – da mesma forma que I. Exemplos: Lynx (gênero do lince), Cyanocorax (gênero da gralha azul)
AE – da mesma forma que E. Exemplos: Aegla (gênero de caranguejos de água doce), Poaceae (família das gramíneas).
OE – da mesma forma que E. Exemplos: Coelacanthus (gênero de celacantos extintos), Oecomys (gênero de roedores)

Consoantes:
B – como em boca. Exemplos: Bryum (gênero de musgos), Bacillus (gênero de bactérias)
C – 1. antes de E, I, Y, AE, OE, como em cebola. Exemplos: Caeciliidae (família de cobras-cegas), Cynodon (gênero de gramíneas)
2. em outras situações, como em cabelo. Exemplos: Canis (gênero do cão), Oryctolagus (gênero do coelho)
D – como em dedo. Pode ser pronunciado africado, como em dia, quando precede I ou Y. Exemplos: Dracaena (gênero das dracenas), Dicksonia (gênero do xaxim).
F – como em faca. Exemplos: Fagus (gênero da faia), Fragaria (gênero do morango)
G – 1. antes de E, I, Y, AE, OE, como em gelo. Exemplos: Geophagus (gênero de acarás), Lagerstroemia (gênero da extremosa).
2. em outras situações, como em galo. Exemplos.: Gallus (gênero do galo), amygdalus (amêndoa)
H – mudo, como em hora. Exemplos: Hovenia (gênero da uva-do-japão), Bauhinia (gênero da pata-de-vaca)
J – como em janela. Exemplos: japonicum (japonês), Juglans (gênero da nogueira)
K – como C em cabelo. Exemplos: Akodon (gênero de roedores), Kinetoplastida (grupo de protistas)
L – como em lar. Exemplos: Limax (gênero de lesmas), Allophylus (gênero do chal-chal)
M – como em mar. Exemplos: Animalia (animais), Mycobacterium (gênero de bactérias)
N – 1. antes de C, CH, K, KH, Q, G, GH, GU, X como no inglês bank. Exemplos: Sphingidae (família de mariposas), Onchocerca (gênero de nematódeos)
2. em outras situações, como em nada. Exemplos: Nematoda (filo de vermes), Lantana (gênero de plantas ornamentais)
P – como em paz. Exemplos: Primates (primatas), Apteryx (gênero da ave kiwi)
Q – como C em cabelo. Exemplos: Qaisracetus (gênero de cetáceo extinto)
R – 1. no início das sílabas ou quando duplo, como em carro. Exemplos: Rallus (gênero de saracuras), Conringia (gênero de planta da família Brassicaceae)
2 . em outros casos, como em caro. Exemplos: Iris (gênero da planta íris), Ursus (urso)
S – 1. entre vogais, especialmente após a sílaba tônica, como em asa. Exemplos: Rosa (rosa), asinus (asno)
2. em outros casos, como em salada. Exemplos: Sus (porco), Stegosaurus (gênero de dinossauros)
[A pronúncia de S entre vogais quando a vogal seguinte é tônica varia de 1 a 2]
T – 1. antes de i+vogal não tônicos (exceto no início das palavras ou após s, t, x), como S em salada. Exemplos: adventitius (adventício), Actias (gênero de mariposas)
2. outros casos antes de i ou y, como em tipo. Exemplos: Tyrannosaurus (tiranossauro), Astia (gênero de aranhas-saltadoras)
3. em outros casos, como em tela. Exemplos: Tenebrio (gênero de besouros), Octopus (polvo)
V – como em vela. Exemplos: Vulpes (raposa), Arvicola (gênero de roedores)
W – como no inglês way ou como V em vela. Exemplos: Welwitschia (gênero de planta encontrada no deserto de Namib), Wolbachia (gênero de bactéria parasita de artrópodes  e nematódeos)
X – como em axial. No início de palavras ou em casos em que a origem etimológica da palavra justifique, pode-se pronunciar como em xícara. Exemplos: Xerapoa (gênero de planárias terrestres), Oxybelis (gênero de cobras arborícolas)
Y – como no inglês yolk. Exemplos: Yarala (gênero de marsupiais fósseis), Ayenia (gênero de plantas da família Malvaceae)
Z – como em zebra. Exemplos: zebra (zebra), Metazoa (metazoários)

Dígrafos:
CC (antes de I, E, AE, OE, Y) – como X em axial, ou com S em salada. Exemplos: Coccinella (gênero de joaninhas), Occidozyga (gênero de rãs)
CH – sempre como C em cabelo. Exemplos: Chiroptera (ordem dos morcegos), Carcharodon (gênero do tubarão-branco).
GH – sempre como G em galo. Exemplos: Ghelna (gênero de aranhas-saltadoras), Ghatophryne (gênero de sapos)
GU (+vogal) – 1. antes de A e O, como em água. Exemplos: Guarianthe (gênero de orquídeas), Aguarunichthys (gênero de bagres).
2. antes de E, I, AE, OE, Y, como em águia. Exemplos: Guimarotodon (gênero de mamífero primitivo fóssil), Guibemantis (gênero de pererecas)
PH – como F em faca. Exemplos: Phoca (foca), Bryophyta (divisão dos fungos)
QU (+vogal) – 1. antes de A, O e U, como em quadro. Exemplos: aquaticus (aquático), Equus (gênero do cavalo)
2. antes de E, I, AE, OE, Y, como em queijo ou como em equino. Exemplos: Quercus (gênero do carvalho), Aquila (águia)
RH – como R em carro. Exemplos: Rhea (gênero da ema), Arrhenia (gênero de cogumelos)
SC (antes de E, I, AE, OE, Y) – como C em cebola. Exemplos: Sciurus (esquilo), Oniscidea (subordem dos tatuzinhos-de-jardim).
SH – como X em xícara. Exemplos: Shigella (gênero de bactérias), Leishmania (gênero de protozoários)
TH – como T em tela ou tipo (antes de I), ou como TH no inglês think. Exemplos: Theristicus (gênero da curicaca), Arthropoda (artrópodes)
XC (antes de E, I, AE, OE, Y) – como X em axial. Exemplos: excelsus (elevado), Excoecaria (gênero de euforbiáceas)
ZH – como Z em zebra, ou como J em janela. Exemplos: Zhadia (gênero de anfípodes), Azhdarchidae (família de pterossauros)

Tonicidade:
1. Palavras com duas sílabas são SEMPRE paroxítonas. Exemplos: Rosa, zebra, Ursus, Canis, Ara, Vitis, onca, leo, Volvox
2. Palavras com três ou mais sílabas podem ser paroxítonas ou proparoxítonas.
            2.1 Paroxítonas:
             a. quando existem duas (ou mais) consoantes entre a penúltima e a última vogal da palavra. Exemplos: Shigella, caballus, excelsus, Onchocerca, Coelacanthus, Bacillus, brasiliensis, Philodendrum.
                b. quando a penúltima vogal for longa. Isso inclui ditongos (ai, oi, eu, ou...), os dígrafos ae e oe e vogais simples longas. Estas últimas não são diferenciadas de vogais curtas na escrita e a melhor forma de identificá-las é conhecendo a palavra. Exemplos: Rhabdocoela, Dionaea, lactuca, Geoplana, Odonata. Dica: algumas terminações, como –anus/a/um, –aris, –alis, –osus/a/um e –atus/a/um indicam sempre paroxítonas (ex.: incanum, familiaris, Ortalis, Lophophorata, formosus).
            2.2 Proparoxítonas: quando existe apenas uma consoante entre a penúltima e a última vogal e a penúltima vogal é curta. Como dito acima, a escrita latina não diferencia vogais longas de curtas, mas na dúvida, opte por pronunciar a palavra como proparoxítona que as chances de estar certo são maiores. Exemplos: Hymenoptera, asinus, viridis, Asteraceae, sylvaticus, Phoneutria, domesticus. Dica: as terminações –icus/a/um, –ius/a/um e –eus/a/um quase sempre indicam proparoxítonas (ex.: aquaticus, Eryngium, erinaceus, Pomacea). Caso a penúltima vogal seja um I e haja uma palavra descendente no Português onde essa vogal desapareceu, então ele era curto e a palavra é proparoxítona (ex.: viridis > verde, asinus > asno).

Abaixo, uma lista de nomes científicos com a vogal tônica em destaque.
Homo sapiens
Felis sylvestris
Passer domesticus
Araucaria angustifolia
Escherichia coli
Agaricus campestris
Bipalium adventitium
Lactuca sativa
Elephas maximus
Coccinella septempunctata
Cyanocorax caeruleus
Albertosaurus sarcophagus
Phoneutria nigriventer
Saccharomyces cervisiae
Balaenoptera musculus
Mangifera indica
Polypodium subauriculatum
Welwitschia mirabilis
Larus dominicanus
Compsocerus violaceus
Amanita muscaria
Geophagus brasiliensis
Caenorhabditis elegans
Drosophila melanogaster
Pseudomonas aeruginosa
Amaranthus retroflexus
Piseinotecus gabinierei

Marchantiophyta
Elateridae
Lophotrochozoa
Charadriiformes
Osteichthyes
Amphidiscophora
Chlamydomonadaceae
Asparagales
Chromalveolata
Basidiomycota
Tetrapodomorpha
Orycteropodidae

Espero que isso possa ajudar a melhor a pronúncia daqueles que possuem dificuldade com ela.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Projeto Dead Drops

Em outubro de 2010, o artista alemão Aram Bartholl iniciou em Nova Iorque um projeto inovador para o compartilhamento gratuito e anônimo de arquivos, o qual chamou de Dead Drop.



Um Dead Drop consiste basicamente num dispositivo de armazenamento, geralmente um pendrive, que é incrustado em paredes, muros, prédios ou qualquer estrutura em local público para que se torne acessível a qualquer um. Todos são convidados a depositar ou encontrar arquivos num dead drop, bem como instalar os seus próprios livremente.
Preferencialmente um dead drop deve ser conectado a alguma estrutura fixa com apenas a sua entrada pela qual possa ser conectado a um computador estando visível. Assim, qualquer um pode conectar seu notebook ou outro aparelho à entrada e participar.

Maiores informações podem ser encontradas no site oficial do projeto, que possui a localização de todos os dead drops instalados no mundo, além das instruções sobre como fazer o seu.

No Brasil, no momento, existem apenas 3 dead drops instalados. Um no Rio de Janeiro, um em Florianópolis e um em Ivoti-RS.  Todos os que se encontram nas localidades destes dead drops estão convidados a usufruir dos mesmos.

domingo, 14 de agosto de 2011

34 anos do sinal Wow!

Hello, folks!
Numa nova tentativa de reativação do blog, vou falar um pouco sobre o sinal Wow! que está completando 34 anos.
Em 15 de agosto de 1977, às 23:16 horas, o astrônomo Dr. Jerry R. Ehman detectou um forte sinal de rádio de banda estreita enquanto trabalhava num projeto do SETI no radiotelescópio The Big Ear na Universidade do Estado de Ohio. O sinal durou 72 segundos e vinha da zona oeste da constelação de Sagitário e alcançou uma intensidade 30 vezes superior a do ruído de fundo, mas não foi mais detectado desde então.
O protocolo utilizado não incluía a gravação dos sinai, sendo que este foi apenas registrado pelo computador numa seção de papel contínuo. Dias depois, o jovem professor Jerry R. Ehman, enquanto trabalhava como voluntário no projeto SETI revisando os registros do computador, descobriu o sinal. Fascinado com o fato de este sinal alcançar a assinatura esperada para um sinal interestelar na antena usada, Ehman circulou-o no papel e escreveu o comentário "Wow!" ao seu lado, fazendo com que este comentário se tornasse o nome com que o sinal passou a ser conhecido.
O código alfanumérico circulado, 6EQUJ5, descreve a variação da intensidade do sinal. Um espaço representa uma intensidade entre 0 e 1, os números 1 a 9 representam as intensidades correspondentes (de 1,0 a 10,0), e intensidades acima destas são representadas por letras (A para 10,0 a 11,0; B para 11,0 a 12,0; etc.). O valor mais alto detectado foi U (entre 30,0 e 31,0), o que em escala linear é mais de 30 vezes mais alto que o ruído normal de fundo.
Os valores assumido para a frequência foram 1420,356 MHz (por J. D. Kraus) e 1420,4556 MHz (por Ehman). Esta frequência é significativa pelo fato de o hidrogênio, que asume-se seja o elemento mais abundante do Universo, ressoa a cerca de 1420 MHz, de forma que extraterrestres poderiam usar esta frequência para transmitir um sinal forte. Também é importante notar que esta frequência é parte do "espectro protegido", uma banda na qual transmissores terrestres são proibidos de transmitir.
A determinação precisa da origem do sinal foi difícil pelo fato do telescópio usar duas antenas para procurar por sinais, cada uma apontando para uma direção ligeiramente diferente. O sinal foi detectado por uma das antenas, mas o processamento dos dados ocorreu de maneira que é impossível determinar por qual delas ele entrou.
O que se pode concluir é que o sinal veio de algum ponto da constelação de sagitário, a cerca de 2.5 graus ao sul do grupo estelar de quinta magnitude Chi Sagittarii. A estrela facilmente visível mais próxima é Tau Sagittarii.
O sinal era esperado ser detectado pelas duas antenas com uma diferença de 3 minuto entre elas, mas isso não ocorreu. Diversas tentativas de detectar novamente um sinal similar nos anos seguintes não obtiveram sucesso. Diversas especulações sobre a origem do sinal foram levantada, mas nada foi conclusivo.

Vocês podem ouvir uma reconstrução do que o sinal teria soado aqui.
O som inevitavelmente me fez lembrar dos sons agudos ouvidos nos episódios da série clássica de Star Trek, não concordam? "Captain! We detected a strong signal coming from Chi Sagittarii!"

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Mulheres aumentam a inteligência de um grupo

E lá vão as mulheres se gabar ainda mais

A pesquisadora Anita Woolley e sua equipe, da Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh, mediram a inteligência grupal e as influências dos indivíduos sobre ela. Para medi-la, 699 foram divididas em grupos de 2 a 5 indivíduos e lhe foram dadas taredas simples como brainstorming, raciocínio moral, resolução de quebra-cabeças, digitação e negociação.

O resultado demonstrou que a inteligência individual dos integrantes não representou grande papel na inteligência do grupo. Sensibilidade social foi de longe o fator mais importante. Outros pontos de grande influência foram o tempo em que os grupos permaneciam falando e o número de mulheres neles. Wooley acredita que isto se deva ao fato de as mulheres terem uma sensibilidade social maior que os homens.

A influência do gênero dos integrantes foi uma surpresa, pois vai contra estudos anteriores que mostravam que em grupos mistos, as mulheres geralmente se sentiam ignoradas.

Wooley diz que processos de seleção usados para formar grupos em locais de trabalho podem precisar ser reavaliados, alterando o foco da inteligência individual para habilidades de colaboração.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/dn19530-social-sensitivity-trumps-iq-in-group-intelligence.html

sábado, 18 de setembro de 2010

Sacudindo

Uma nova forma de comunicação animal revelada com a descoberta de que machos de pererecas-de-olhos-vermelhos  enviam sinais ao sacudir os ramos das árvores nas quais se encontram.

De acordo com o Dr. Gregory Johnston da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Flinders, "Diferente da maioria das rãs, a perereca-de-olhos-vermelhos não demonstram qualquer evidência de fêmeas escolhendo um macho pela voz mais alta ou mais bonita". Em vez disso, as fêmeas parecem felizes de se acasalar com qualquer macho em cujo território estejam vagando, fazendo com que o território seja realmente importante.

Johnston foi a América Central tentar descobrir por que os machos desta espécie são tão mais brilhantemente coloridos do que os de outras espécies e pensou que isto deveria simbolizar alguma sinalização, em especial por eles exporem uma região particularmente colorida quando outro macho invade seu território.

Contudo, isso ocorre em situações em que os machos sacodem os galhos em que estão sentados, aparentemente para deter os outros machos. Aparentemente, as sacudidas são importantes para demonstrar o tamanho e força de um macho, afastando os rivais. Este é o primeiro caso de um vertebrado arborícola se comunicando por vibração.

Esta descoberta pode ajudar a explicar por que esta espécie está desaparecendo em regiões próximas a estradas nas florestas chuvosas da América Central. A passagem constante de caminhões pelas estradas podem estar afastando as pererecas, que talvez estejam temendo rivais inimaginavelmente podersosos.

Fonte: http://www.australasianscience.com.au/article/issue-september-2010/frogs-shake-tree.html