quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Sobre Star Trek Discovery. Uma série boa ou ruim?

Hoje vi alguns vídeos no youtube de opiniões sobre a nova série de Star Trek e fiquei desappointed but not surprised com o excesso de avaliações negativas, uma certa porção delas devido a fãs conservadores que provavelmente acham até hoje o Kirk é o melhor capitão de todos. Mas boa parte do desagrado causado é justamente pelo que não deveria: a ênfase na diversidade.

Um dos youtubers comentou que, apesar de Star Trek passar a ideia de "abraçar a diversidade" e confrontar tabus, isso sempre foi algo secundário nos enredos. O ser em questão, que não surpreendentemente é um homem branco heterossexual, achou exagerada o fato de o elenco quase inteiro ser formado por minorias, incluindo muitas mulheres, negros e até, pela primeira vez, gays. Ele fala sobre como na série original tínhamos lá a Uhura como mulher negra, mas que isso nunca foi "esfregado na cara" dos espectadores. A Uhura estava lá, uma mulher negra no elenco central, mas isso nunca foi mostrado dessa forma. O que me deu a entender é que, para esse youtuber, está ok incluir minorias, contanto que seja algo discreto. Torná-las dominantes já é passar dos limites. E com essa opinião nota-se que a pessoa realmente nunca entendeu Star Trek. Ao contrário do que o cidadão em questão pensa, os questionamentos sobre a sociedade e seus tabus e preconceitos não era algo secundário em Star Trek, mas sempre foi o que Gene Rodenberry quis.

Mas deixando de lado o conservadorismo disfarçado de muitos desses fãs que não entenderam a mensagem, vamos discutir outros pontos vistos como ruins por esses opinadores:

1. A comunicação holográfica. A bordo da Discovery vemos que a comunicação frequentemente ocorre com o uso de hologramas. Isso parece completamente anacrônico com as demais séries, considerando que a história se passa 10 anos antes da série clássica. Nesse ponto estou de acordo que é algo ruim. Essa tecnologia parece estar ali apenas para impressionar e nada mais.


Comunicação holográfica. Um dos maiores anacronismos.

2. O novo visual dos Klingons. Muitas pessoas detestaram a nova cara dos Klingons, com sua pele com cores não-humanas, a remoção dos pelos e o aumento de cristas e protuberâncias. Eu realmente gosto da versão dos Klingons como mostrada na Nova Geração e séries posteriores (porque caso não se lembrem, eles eram bem diferentes na série clássica), mas não detestei o novo visual. Achei interessante o visual menos humano, porque convenhamos que um dos pontos mais "toscos" de Star Trek é a maior parte das espécies não serem nada além de humanos com alguma coisa diferente na testa.
A evolução da aparência dos Klingons.
3. Michael Burnham. Há pessoas reclamando de ela ter um nome masculino. Sério mesmo? Nem vou falar disso. E há quem fala sobre seu comportamento estúpido durante o motim no episódio piloto e sua arrogância excessiva. Mas lembrem-se de que ela foi criada por vulcanos. E se existe uma coisa que os vulcanos sabem fazer bem é serem arrogantes. E não sei se perceberam, mas apesar de ela ser considerada por todos como a responsável por começar a guerra com os Klingons, na verdade a Philippa Georgiou é que foi a responsável ao negar seguir as recomendações da Michael de atacar primeiro.

4. O Sotaque de Philippa Georgiou. Sério. Existe quem achou que um problema era a capitã ter sotaque e que isso causaria problemas de entendimento durante as relações diplomáticas. Sim, porque num universo com tradutores universais onde uma desgraça de um aparelhinho portátil consegue traduzir uma língua alien desconhecida perfeitamente depois de registrar meia dúzia de palavras realmente vai ter grandes problemas com uma pessoa falando inglês com sotaque.

5. A balela pseudocientífica. Sim, toda aquela história do micélio não faz sentido nenhum e nem um tardígrado gigante que resiste a phasers. Mas TODAS AS DAMN SÉRIES anteriores de Star Trek eram cheias de balelas anticientíficas. Vamos citar só aquela vez em que o Kirk é separado em um Kirk "bom" e um Kirk "mau" pelo teletransporte. Então parem de reclamar de algo que sempre existiu na série!

Enfim, existem muitos outros pontos levantados para desmerecer a nova série, mas, como os listados acima, a maior parte são apenas desculpas para se manter agarrado ao velho. A meu ver, as três séries mais ou menos contemporâneas (The Next Generation, Deep Space Nine e Voyager) são as com enredos mais consistentes, sem tantas coisas absurdas como na série clássica ou na Enterprise, mas mesmo lá existem coisas sem sentido. Apesar disso me considero um grade fã de Star Trek. O universo como um todo, como foi construído, realmente é impressionante, e certamente ele foi se aprimorando conforme a franquia foi amadurecendo, mas certamente diversos erros (aqui no sentido de "baboseiras") que foram em algum momento impostas em algum episódio não têm mais como serem ignoradas e o melhor que se pode fazer é tentar encontrar uma maneira de conviver com isso.

Então que tal tentarmos ser um pouco mais acolhedores com a nova série? Exceto pelos anacronismos, até agora estou gostando e acho que está de acordo com o que se esperaria de uma série de Star Trek feita no momento. Está muito cheia de explosões e efeitos especiais? Sim! Mas o que hoje em dia não está? Os personagens estão muito rasos? A maioria sim, mas esperemos um pouco mais. Tenho "fé" de que em breve eles serão melhor desenvolvidos.

Para concluir, quero dizer que estou mais satisfeito com Star Trek Discovery do que estou com os novos filmes da tripulação clássica em sua linha temporal alternativa.

E é isso por agora.
Dif-tor heh smusma, e Qapla'!

Nenhum comentário:

Postar um comentário