Poisor Tristesi
Jumping around like a retrotransposon
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
sábado, 3 de dezembro de 2011
Espécies Exóticas: Elas são sempre um problema?
Nas
últimas décadas, espécies não-nativas se tornaram vítimas de discriminação por
parte de conservacionistas, donos de terras e políticos, bem como entre os
cientistas, sendo acusadas de levar espécies nativas à extinção e “poluir”
ambientes naturais. Contudo, as abordagens atuais de manejo precisam considerar
que os sistemas naturais estão se alterando sem retorno graças às mudanças climáticas,
a urbanização e a eutrofização, além de outras mudanças pelo uso da terra.
Fonte principal: Davis et al., 2001. Don’t judge species on their origins. Nature, 474, 153-154.
De
fato muitas espécies introduzidas por humanos levaram a extinções e reduziram
importantes serviços ecológicos. A malária aviana, introduzida no Havaí junto
com aves não-nativas por Europeus, matou mais da metade das espécies nativas. O
mexilhão-zebra Dreissena polymorpha,
originário da Rússia e introduzido na América do Norte, e o mexilhão-dourado Limnoperna fortunei, originário do sul
da Ásia e introduzido na América do Sul, se tornaram um grande problema por
bloquearem canos de distribuição de água.
Mexilhão-zebra, espécie invasora na América do Norte
Mas
a maioria das alegações sobre o papel destrutivo de espécies invasoras se
baseiam em Wilcove et. al (1998), que alegam que espécies invasoras são a
segunda maior ameaça a espécies ameaçadas após a perda de habitats, mas isso é
pouco suportado por dados. Na verdade, em muitos casos a introdução de espécies
aumentou a riqueza de espécies numa região.
Os
efeitos de uma espécie invasora que não causa problemas agora pode se tornar
uma preocupação no futuro, mas o mesmo se aplica a espécies nativas. O status
de nativo não indica um efeito necessariamente positivo. O inseto que mais
ameaça as árvores na América do Norte é uma espécie nativa de besouro, Dendroctonus ponderosae. Muitas espécies
de árvores frutíferas introduzidas se tornaram importantes fontes de alimento
para aves locais, atraindo-as e assim auxiliando inclusive a dispersão de
espécies nativas.
A ideia não é defender as espécies invasoras em todos os casos, mas incitar uma abordagem mais analítica da situação. Em vez de cegamente condenar uma espécie apenas por não ser nativa, os planos de manejo precisam se basear em evidências empíricas e não em alegações infundadas.
A ideia não é defender as espécies invasoras em todos os casos, mas incitar uma abordagem mais analítica da situação. Em vez de cegamente condenar uma espécie apenas por não ser nativa, os planos de manejo precisam se basear em evidências empíricas e não em alegações infundadas.
Fonte principal: Davis et al., 2001. Don’t judge species on their origins. Nature, 474, 153-154.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Como pronunciar nomes científicos
Depois
de anos no meio acadêmico, não há como não perceber que muitos ainda possuem dificuldade
na pronúncia de nomes científicos, mesmo entre os biólogos e outros
profissionais constantemente em contato com estes termos. Assim, decidi fazer
esse (não tão) breve resumo de como pronunciá-los.
Nomes
científicos são palavras em Latim Científico e sua pronúncia varia de acordo
com a língua oficial do local onde é usado, ou seja, sua pronúncia é adaptada a
um background da língua falada pelos
utilizadores dos termos. Assim, cada país possui sua forma própria de
pronúncia. Aqui vou apresentar a pronúncia de acordo com falantes de português:
Vogais:
A – como em casa. Pode ser pronunciado mais fechado
quando antecede uma consoante nasal, como em cama. Exemplos: Ara (gênero das araras), Anas
(gênero dos marrecos)
E – como em pedra
ou Pedro. Exemplos: Hedera
(gênero das heras), Aves (clado que inclui
as aves)
I – como em livro.
Exemplos: Helix (gênero do escargô),
Ilex (gênero da erva-mate), viridis (verde)
O – como em poço
ou posso. Exemplos: Homo
(gênero do homem), Volvox (gênero de alga verde)
U – como em cru.
Exemplos: Lupus (gênero do lobo), Cucumis (gênero do pepino e do melão)
Y – da mesma forma que I. Exemplos: Lynx (gênero do lince), Cyanocorax
(gênero da gralha azul)
AE – da mesma forma que E. Exemplos: Aegla (gênero de caranguejos de água doce), Poaceae (família das gramíneas).
OE – da mesma forma que E. Exemplos: Coelacanthus (gênero de celacantos extintos), Oecomys (gênero de roedores)
Consoantes:
B – como em boca.
Exemplos: Bryum (gênero de musgos), Bacillus (gênero de bactérias)
C – 1. antes de E, I, Y, AE, OE, como em cebola. Exemplos: Caeciliidae (família de
cobras-cegas), Cynodon (gênero de
gramíneas)
2. em outras
situações, como em cabelo. Exemplos:
Canis (gênero do cão), Oryctolagus (gênero do coelho)
D – como em dedo. Pode ser pronunciado africado, como
em dia, quando precede I ou Y.
Exemplos: Dracaena (gênero das
dracenas), Dicksonia (gênero do
xaxim).
F – como em faca.
Exemplos: Fagus (gênero da faia), Fragaria (gênero do morango)
G – 1. antes de E, I, Y, AE, OE, como em gelo. Exemplos: Geophagus (gênero de acarás), Lagerstroemia (gênero da extremosa).
2. em outras
situações, como em galo. Exemplos.: Gallus (gênero do galo), amygdalus (amêndoa)
H – mudo, como em hora.
Exemplos: Hovenia (gênero da
uva-do-japão), Bauhinia (gênero da pata-de-vaca)
J – como em janela.
Exemplos: japonicum (japonês), Juglans (gênero da nogueira)
K – como C em cabelo.
Exemplos: Akodon (gênero de
roedores), Kinetoplastida (grupo de
protistas)
L – como em lar.
Exemplos: Limax (gênero de lesmas),
Allophylus (gênero do chal-chal)
M – como em mar.
Exemplos: Animalia (animais), Mycobacterium (gênero de bactérias)
N – 1. antes de C, CH, K, KH, Q, G, GH, GU, X como no inglês
bank. Exemplos: Sphingidae (família de mariposas), Onchocerca (gênero de nematódeos)
2. em outras
situações, como em nada. Exemplos: Nematoda (filo de vermes), Lantana
(gênero de plantas ornamentais)
P – como em paz.
Exemplos: Primates (primatas), Apteryx (gênero da ave kiwi)
Q – como C em cabelo.
Exemplos: Qaisracetus (gênero de
cetáceo extinto)
R – 1. no início das sílabas ou quando duplo, como em carro. Exemplos: Rallus (gênero de saracuras), Conringia (gênero de planta da família Brassicaceae)
2 . em outros casos, como em caro. Exemplos: Iris (gênero da planta íris), Ursus
(urso)
S – 1. entre vogais, especialmente após a sílaba tônica,
como em asa. Exemplos: Rosa (rosa), asinus (asno)
2. em outros
casos, como em salada. Exemplos: Sus (porco), Stegosaurus (gênero de
dinossauros)
[A
pronúncia de S entre vogais quando a vogal seguinte é tônica varia de 1 a 2]
T – 1. antes de i+vogal não tônicos (exceto no início das
palavras ou após s, t, x), como S em salada.
Exemplos: adventitius (adventício),
Actias (gênero de mariposas)
2. outros casos
antes de i ou y, como em tipo.
Exemplos: Tyrannosaurus
(tiranossauro), Astia (gênero de aranhas-saltadoras)
3. em outros
casos, como em tela. Exemplos: Tenebrio (gênero de besouros), Octopus (polvo)
V – como em vela.
Exemplos: Vulpes (raposa), Arvicola (gênero de roedores)
W – como no inglês way
ou como V em vela. Exemplos: Welwitschia
(gênero de planta encontrada no deserto de Namib), Wolbachia (gênero de bactéria parasita de artrópodes e nematódeos)
X – como em axial.
No início de palavras ou em casos em que a origem etimológica da palavra
justifique, pode-se pronunciar como em xícara.
Exemplos: Xerapoa (gênero de
planárias terrestres), Oxybelis
(gênero de cobras arborícolas)
Y – como no inglês yolk.
Exemplos: Yarala (gênero de
marsupiais fósseis), Ayenia (gênero
de plantas da família Malvaceae)
Z – como em zebra.
Exemplos: zebra (zebra), Metazoa (metazoários)
Dígrafos:
CC (antes de I, E, AE, OE, Y) – como X em axial, ou com S em salada. Exemplos: Coccinella
(gênero de joaninhas), Occidozyga
(gênero de rãs)
CH – sempre como C em cabelo.
Exemplos: Chiroptera (ordem dos
morcegos), Carcharodon (gênero do
tubarão-branco).
GH – sempre como G em galo.
Exemplos: Ghelna (gênero de
aranhas-saltadoras), Ghatophryne
(gênero de sapos)
GU (+vogal) – 1. antes de A e O, como em água. Exemplos: Guarianthe (gênero de orquídeas), Aguarunichthys (gênero de bagres).
2. antes de E, I, AE, OE, Y,
como em águia. Exemplos: Guimarotodon (gênero de mamífero
primitivo fóssil), Guibemantis
(gênero de pererecas)
PH – como F em faca.
Exemplos: Phoca (foca), Bryophyta (divisão dos fungos)
QU (+vogal) – 1. antes de A, O e U, como em quadro. Exemplos: aquaticus (aquático), Equus
(gênero do cavalo)
2. antes de E, I, AE, OE, Y, como em queijo ou como em equino.
Exemplos: Quercus (gênero do
carvalho), Aquila (águia)
RH – como R em carro.
Exemplos: Rhea (gênero da ema), Arrhenia (gênero de cogumelos)
SC (antes de E, I, AE, OE, Y) – como C em cebola. Exemplos: Sciurus (esquilo), Oniscidea
(subordem dos tatuzinhos-de-jardim).
SH – como X em xícara.
Exemplos: Shigella (gênero de bactérias),
Leishmania (gênero de protozoários)
TH – como T em tela
ou tipo (antes de I), ou como TH no
inglês think. Exemplos: Theristicus (gênero da curicaca), Arthropoda (artrópodes)
XC (antes de E, I, AE, OE, Y) – como X em axial. Exemplos: excelsus (elevado), Excoecaria
(gênero de euforbiáceas)
ZH – como Z em zebra,
ou como J em janela. Exemplos: Zhadia (gênero de anfípodes), Azhdarchidae (família de pterossauros)
Tonicidade:
1. Palavras com duas sílabas são SEMPRE paroxítonas.
Exemplos: Rosa, zebra, Ursus, Canis, Ara, Vitis, onca, leo, Volvox
2. Palavras com três ou mais sílabas podem ser paroxítonas
ou proparoxítonas.
2.1
Paroxítonas:
a. quando existem duas (ou mais)
consoantes entre a penúltima e a última vogal da palavra. Exemplos: Shigella, caballus, excelsus, Onchocerca, Coelacanthus, Bacillus,
brasiliensis, Philodendrum.
b.
quando a penúltima vogal for longa. Isso inclui ditongos (ai, oi, eu, ou...),
os dígrafos ae e oe e vogais simples longas. Estas
últimas não são diferenciadas de vogais curtas na escrita e a melhor forma de
identificá-las é conhecendo a palavra. Exemplos: Rhabdocoela, Dionaea, lactuca, Geoplana, Odonata. Dica:
algumas terminações, como –anus/a/um, –aris, –alis, –osus/a/um e –atus/a/um
indicam sempre paroxítonas (ex.: incanum,
familiaris, Ortalis, Lophophorata, formosus).
2.2
Proparoxítonas: quando existe apenas uma consoante entre a penúltima e a última
vogal e a penúltima vogal é curta. Como dito acima, a escrita latina não
diferencia vogais longas de curtas, mas na dúvida, opte por pronunciar a
palavra como proparoxítona que as chances de estar certo são maiores. Exemplos:
Hymenoptera, asinus, viridis, Asteraceae, sylvaticus, Phoneutria, domesticus. Dica: as terminações
–icus/a/um, –ius/a/um e –eus/a/um quase sempre indicam proparoxítonas (ex.: aquaticus, Eryngium, erinaceus, Pomacea). Caso a penúltima vogal seja um I
e haja uma palavra descendente no Português onde essa vogal desapareceu, então
ele era curto e a palavra é proparoxítona (ex.: viridis > verde, asinus > asno).
Abaixo, uma lista de nomes científicos com a vogal tônica em destaque.
Homo sapiens
Felis sylvestris
Passer domesticus
Araucaria angustifolia
Escherichia coli
Agaricus campestris
Bipalium adventitium
Lactuca sativa
Elephas maximus
Coccinella septempunctata
Cyanocorax caeruleus
Albertosaurus sarcophagus
Phoneutria nigriventer
Saccharomyces cervisiae
Balaenoptera musculus
Mangifera indica
Polypodium subauriculatum
Welwitschia mirabilis
Larus
dominicanus
Compsocerus
violaceus
Amanita
muscaria
Geophagus
brasiliensis
Caenorhabditis
elegans
Drosophila
melanogaster
Pseudomonas
aeruginosa
Amaranthus
retroflexus
Piseinotecus
gabinierei
Marchantiophyta
Elateridae
Lophotrochozoa
Charadriiformes
Osteichthyes
Amphidiscophora
Chlamydomonadaceae
Asparagales
Chromalveolata
Basidiomycota
Tetrapodomorpha
Orycteropodidae
Espero que isso possa ajudar a melhor a pronúncia daqueles que possuem dificuldade com ela.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Projeto Dead Drops
Em outubro de 2010, o artista alemão Aram Bartholl iniciou em Nova Iorque um projeto inovador para o compartilhamento gratuito e anônimo de arquivos, o qual chamou de Dead Drop.
Um Dead Drop consiste basicamente num dispositivo de armazenamento, geralmente um pendrive, que é incrustado em paredes, muros, prédios ou qualquer estrutura em local público para que se torne acessível a qualquer um. Todos são convidados a depositar ou encontrar arquivos num dead drop, bem como instalar os seus próprios livremente.
Preferencialmente um dead drop deve ser conectado a alguma estrutura fixa com apenas a sua entrada pela qual possa ser conectado a um computador estando visível. Assim, qualquer um pode conectar seu notebook ou outro aparelho à entrada e participar.
Maiores informações podem ser encontradas no site oficial do projeto, que possui a localização de todos os dead drops instalados no mundo, além das instruções sobre como fazer o seu.
No Brasil, no momento, existem apenas 3 dead drops instalados. Um no Rio de Janeiro, um em Florianópolis e um em Ivoti-RS. Todos os que se encontram nas localidades destes dead drops estão convidados a usufruir dos mesmos.
Um Dead Drop consiste basicamente num dispositivo de armazenamento, geralmente um pendrive, que é incrustado em paredes, muros, prédios ou qualquer estrutura em local público para que se torne acessível a qualquer um. Todos são convidados a depositar ou encontrar arquivos num dead drop, bem como instalar os seus próprios livremente.
Preferencialmente um dead drop deve ser conectado a alguma estrutura fixa com apenas a sua entrada pela qual possa ser conectado a um computador estando visível. Assim, qualquer um pode conectar seu notebook ou outro aparelho à entrada e participar.
Maiores informações podem ser encontradas no site oficial do projeto, que possui a localização de todos os dead drops instalados no mundo, além das instruções sobre como fazer o seu.
No Brasil, no momento, existem apenas 3 dead drops instalados. Um no Rio de Janeiro, um em Florianópolis e um em Ivoti-RS. Todos os que se encontram nas localidades destes dead drops estão convidados a usufruir dos mesmos.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Por que Timina no lugar da Uracila?
Na quarta-feira passada, durante a aula de Técnicas de Diagnóstico Molecular, surgiu uma dúvida interessante: Por que o DNA usa Timina no lugar da Uracila usada pelo RNA?
Motivado por essa dúvida, decidi pesquisar a respeito. Como a explicação se mostra deveras interessante, decidi publicá-la aqui. Ela com certeza será melhor entendida por aqueles que possuem algum conhecimento em biologia molecular, pois não é minha intenção explicar toda a estrutura, síntese e replicação dos ácidos nucleicos. Mas vamos à explicação:
Pra começar, vejam a estrutura da Uracila a seguir:
A única diferença dela para a Timina é a presença de um grupo metil nesta última:
A timina é, de fato, também conhecida como 5-metiluracila. Mas vamos à explicação:
Durante a síntese dos nucleotídeos, as nucleotídeo-monofosfatases (NMPs), isto é o conjunto Nucleotídeo + Ribose + Fosfato é desidroxilado, originando 2'-deoxi-nucleotideo-monofosfatases (dNMPs), ou seja, GMP, AMP, CMP e UMP são convertidos para dGMP, dAMP, dCMP e dUMP respectivamente. Em seguida, uma modificação catalisada pelo ácido fólico adiciona um metil à uracila, para formar timina, tornando dUMP em dTMP. Mas... por quê?
Bom, isso acontece porque a Uracila, apesar de preferir se parear com Adenina, pode facilmente se parear com qualquer base, inclusive consigo mesma. A presença de um grupo metil (que a transforma em timina), que é hidrofóbico, reordena sua posição na hélice, impedindo que isso aconteça, de forma que a timina é mais estável para uma dupla-hélice do que a uracila.
Além disso, mais outro problema é resolvido com essa conversão. Vejam a seguir a estrutura da citosina. Ela é semelhante à Uracila, como podem notar, diferenciando-se pela substituição de um O por NH2.
Acontece que a citosina pode espontaneamente de deaminar e se transformar numa uracila. E aí, se a uracila fosse um componente do DNA, as estruturas de reparo não conseguiriam diferenciar essa uracila proveniente de uma citosina de uma uracila original, fazendo com que mutações se acumulassem em uma taxa gigantesca.
Com o uso de timina no lugar da uracila, qualquer uracila detectada na dupla hélice é identificada como um erro e substituída por uma citosina.
Well, é basicamente isso que encontrei explicando o motivo dessa substituição. :3
domingo, 14 de agosto de 2011
34 anos do sinal Wow!
Hello, folks!
Numa nova tentativa de reativação do blog, vou falar um pouco sobre o sinal Wow! que está completando 34 anos.
Em 15 de agosto de 1977, às 23:16 horas, o astrônomo Dr. Jerry R. Ehman detectou um forte sinal de rádio de banda estreita enquanto trabalhava num projeto do SETI no radiotelescópio The Big Ear na Universidade do Estado de Ohio. O sinal durou 72 segundos e vinha da zona oeste da constelação de Sagitário e alcançou uma intensidade 30 vezes superior a do ruído de fundo, mas não foi mais detectado desde então.
O protocolo utilizado não incluía a gravação dos sinai, sendo que este foi apenas registrado pelo computador numa seção de papel contínuo. Dias depois, o jovem professor Jerry R. Ehman, enquanto trabalhava como voluntário no projeto SETI revisando os registros do computador, descobriu o sinal. Fascinado com o fato de este sinal alcançar a assinatura esperada para um sinal interestelar na antena usada, Ehman circulou-o no papel e escreveu o comentário "Wow!" ao seu lado, fazendo com que este comentário se tornasse o nome com que o sinal passou a ser conhecido.
O código alfanumérico circulado, 6EQUJ5, descreve a variação da intensidade do sinal. Um espaço representa uma intensidade entre 0 e 1, os números 1 a 9 representam as intensidades correspondentes (de 1,0 a 10,0), e intensidades acima destas são representadas por letras (A para 10,0 a 11,0; B para 11,0 a 12,0; etc.). O valor mais alto detectado foi U (entre 30,0 e 31,0), o que em escala linear é mais de 30 vezes mais alto que o ruído normal de fundo.
Os valores assumido para a frequência foram 1420,356 MHz (por J. D. Kraus) e 1420,4556 MHz (por Ehman). Esta frequência é significativa pelo fato de o hidrogênio, que asume-se seja o elemento mais abundante do Universo, ressoa a cerca de 1420 MHz, de forma que extraterrestres poderiam usar esta frequência para transmitir um sinal forte. Também é importante notar que esta frequência é parte do "espectro protegido", uma banda na qual transmissores terrestres são proibidos de transmitir.
A determinação precisa da origem do sinal foi difícil pelo fato do telescópio usar duas antenas para procurar por sinais, cada uma apontando para uma direção ligeiramente diferente. O sinal foi detectado por uma das antenas, mas o processamento dos dados ocorreu de maneira que é impossível determinar por qual delas ele entrou.
O que se pode concluir é que o sinal veio de algum ponto da constelação de sagitário, a cerca de 2.5 graus ao sul do grupo estelar de quinta magnitude Chi Sagittarii. A estrela facilmente visível mais próxima é Tau Sagittarii.
O sinal era esperado ser detectado pelas duas antenas com uma diferença de 3 minuto entre elas, mas isso não ocorreu. Diversas tentativas de detectar novamente um sinal similar nos anos seguintes não obtiveram sucesso. Diversas especulações sobre a origem do sinal foram levantada, mas nada foi conclusivo.
Vocês podem ouvir uma reconstrução do que o sinal teria soado aqui.
O som inevitavelmente me fez lembrar dos sons agudos ouvidos nos episódios da série clássica de Star Trek, não concordam? "Captain! We detected a strong signal coming from Chi Sagittarii!"
Numa nova tentativa de reativação do blog, vou falar um pouco sobre o sinal Wow! que está completando 34 anos.
Em 15 de agosto de 1977, às 23:16 horas, o astrônomo Dr. Jerry R. Ehman detectou um forte sinal de rádio de banda estreita enquanto trabalhava num projeto do SETI no radiotelescópio The Big Ear na Universidade do Estado de Ohio. O sinal durou 72 segundos e vinha da zona oeste da constelação de Sagitário e alcançou uma intensidade 30 vezes superior a do ruído de fundo, mas não foi mais detectado desde então.
O protocolo utilizado não incluía a gravação dos sinai, sendo que este foi apenas registrado pelo computador numa seção de papel contínuo. Dias depois, o jovem professor Jerry R. Ehman, enquanto trabalhava como voluntário no projeto SETI revisando os registros do computador, descobriu o sinal. Fascinado com o fato de este sinal alcançar a assinatura esperada para um sinal interestelar na antena usada, Ehman circulou-o no papel e escreveu o comentário "Wow!" ao seu lado, fazendo com que este comentário se tornasse o nome com que o sinal passou a ser conhecido.
O código alfanumérico circulado, 6EQUJ5, descreve a variação da intensidade do sinal. Um espaço representa uma intensidade entre 0 e 1, os números 1 a 9 representam as intensidades correspondentes (de 1,0 a 10,0), e intensidades acima destas são representadas por letras (A para 10,0 a 11,0; B para 11,0 a 12,0; etc.). O valor mais alto detectado foi U (entre 30,0 e 31,0), o que em escala linear é mais de 30 vezes mais alto que o ruído normal de fundo.
Os valores assumido para a frequência foram 1420,356 MHz (por J. D. Kraus) e 1420,4556 MHz (por Ehman). Esta frequência é significativa pelo fato de o hidrogênio, que asume-se seja o elemento mais abundante do Universo, ressoa a cerca de 1420 MHz, de forma que extraterrestres poderiam usar esta frequência para transmitir um sinal forte. Também é importante notar que esta frequência é parte do "espectro protegido", uma banda na qual transmissores terrestres são proibidos de transmitir.
A determinação precisa da origem do sinal foi difícil pelo fato do telescópio usar duas antenas para procurar por sinais, cada uma apontando para uma direção ligeiramente diferente. O sinal foi detectado por uma das antenas, mas o processamento dos dados ocorreu de maneira que é impossível determinar por qual delas ele entrou.
O que se pode concluir é que o sinal veio de algum ponto da constelação de sagitário, a cerca de 2.5 graus ao sul do grupo estelar de quinta magnitude Chi Sagittarii. A estrela facilmente visível mais próxima é Tau Sagittarii.
O sinal era esperado ser detectado pelas duas antenas com uma diferença de 3 minuto entre elas, mas isso não ocorreu. Diversas tentativas de detectar novamente um sinal similar nos anos seguintes não obtiveram sucesso. Diversas especulações sobre a origem do sinal foram levantada, mas nada foi conclusivo.
Vocês podem ouvir uma reconstrução do que o sinal teria soado aqui.
O som inevitavelmente me fez lembrar dos sons agudos ouvidos nos episódios da série clássica de Star Trek, não concordam? "Captain! We detected a strong signal coming from Chi Sagittarii!"
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Beagle, Saturno, Urano e o Coração Artificial
De volta com mais um post depois de muito tempo. (Anda me faltando inspiração e tempo =| )
Neste post falarei sobre eventos importantes ocorridos neste dia, 11 de Maio, na ciência.
11 de Maio de 1820 - Ocorre o lançamento do famoso HMS Beagle, que em sua segunda viagem (de 27 de Dezembro de 1831 a 2 de Outubro de 1836) levou Charles Darwin em sua expedição pela América do Sul, um marco decisivo para o surgimento da Teoria da Seleção Natural.

11 de Maio de 1871 - Morre Sir John Frederick William Hershel, matemático, astrônomo e químico inglês. Responsável pelo início do uso do sistema de dias julianos em astronomia, além de estudos sobre daltonismo e o poder químico dos raios ultravioletas.
Entre 1821 e 1823, ele reexaminou, juntamente com o astrônomo James South, as estrelas duplas que haviam sido catalogadas por seu pai, Sir Friedrich Wilhelm Herschel. Por esse trabalho, recebeu a medalha de outro da Royal Astronomical Society em 1826.
Seu trabalho entitulado "Um discurso preliminar sobre o estudo da filosofia natural", publicado em 1831, foi base de inspiração para Charles Darwin enquanto este era estudante da Universidade de Cambridge.
Em 13 de Novembro de 1833, partiu para a Cidade do Cabo, na África do Sul com a intenção de catalogar estrelas, nebulosas e outros objetos nos céus do hemisfério sul. Entre suas observações estava a do retorno do Cometa Halley no ano de 1834. Além do trabalho astronômico, ele produziu, com sua esposa, Margaret, um catálogo de 131 ilustrações botânicas sobre a flora capense.
Ele retornou à Inglaterra em 1838 e, em 1847, publicou o trabalho entitulado "Resultados de Observações Astronômicas feitas no Cabo da Boa Esperança". No trabalho, ele propôs os nomes para os satélites de Saturno e Urano conhecidos na época, e que são usados até hoje:
Saturno: Mimas, Encélado, Tétis, Dione, Reia, Titã e Japeto.
Urano: Ariel, Umbriel, Titânia, Oberon
11 de Maio de 1946 - Nasce Robert Koffler Jarvik, pesquisador estadunidense responsável pela criação do coração artificial Jarvik-7 que, apesar de limitar muito os movimentos do usuário, controlava outros problemas como embolia e infecção. O primeiro paciente a receber o implante em 2 de dezembro de 1982 sobreviveu por 112 dias, realizando visitas frequentes ao hospital neste intervalo.
Neste post falarei sobre eventos importantes ocorridos neste dia, 11 de Maio, na ciência.
11 de Maio de 1820 - Ocorre o lançamento do famoso HMS Beagle, que em sua segunda viagem (de 27 de Dezembro de 1831 a 2 de Outubro de 1836) levou Charles Darwin em sua expedição pela América do Sul, um marco decisivo para o surgimento da Teoria da Seleção Natural.

11 de Maio de 1871 - Morre Sir John Frederick William Hershel, matemático, astrônomo e químico inglês. Responsável pelo início do uso do sistema de dias julianos em astronomia, além de estudos sobre daltonismo e o poder químico dos raios ultravioletas.
Seu trabalho entitulado "Um discurso preliminar sobre o estudo da filosofia natural", publicado em 1831, foi base de inspiração para Charles Darwin enquanto este era estudante da Universidade de Cambridge.
Em 13 de Novembro de 1833, partiu para a Cidade do Cabo, na África do Sul com a intenção de catalogar estrelas, nebulosas e outros objetos nos céus do hemisfério sul. Entre suas observações estava a do retorno do Cometa Halley no ano de 1834. Além do trabalho astronômico, ele produziu, com sua esposa, Margaret, um catálogo de 131 ilustrações botânicas sobre a flora capense.
Ele retornou à Inglaterra em 1838 e, em 1847, publicou o trabalho entitulado "Resultados de Observações Astronômicas feitas no Cabo da Boa Esperança". No trabalho, ele propôs os nomes para os satélites de Saturno e Urano conhecidos na época, e que são usados até hoje:
Saturno: Mimas, Encélado, Tétis, Dione, Reia, Titã e Japeto.
Urano: Ariel, Umbriel, Titânia, Oberon
11 de Maio de 1946 - Nasce Robert Koffler Jarvik, pesquisador estadunidense responsável pela criação do coração artificial Jarvik-7 que, apesar de limitar muito os movimentos do usuário, controlava outros problemas como embolia e infecção. O primeiro paciente a receber o implante em 2 de dezembro de 1982 sobreviveu por 112 dias, realizando visitas frequentes ao hospital neste intervalo.

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